segunda-feira, dezembro 19, 2016

Aqui estou Maria



Entramos na recta final do Advento, do tudo ou nada!...
É sempre Deus quem decide manifestar-se e coloca-nos na condição de O conhecer e de O encontrar. É sempre Ele O mais interessado em estabelecer diálogo connosco, enquanto da nossa parte revelamos distracção ou incapacidade de reconhecer a Sua existência e os seus dons. Deus escolhe sempre o que parece ser insignificante aos olhos dos homens, mas é Ele quem projecta e propõe, dá o primeiro passo; cada chamamento traz consigo uma missão: Maria não é apenas uma criança mas uma mulher escolhida para ser, através do Filho de Deus, Mãe de toda a Humanidade. Ela será a nova Eva, aquela que, ao contrário da primeira, será obediente em tudo à vocação recebida. Deste modo, Maria encontra e deixa-se encontrar. O Anjo Gabriel é portador de uma Palavra que não é apenas discurso, mas é uma força que transforma o coração e imprime uma marca na sua existência; daí o significado do seu nome Força de Deus. Deus deseja a nossa participação no seu desígnio de salvação. Até que ponto me deixo interpelar por esta Força de Deus, que me chama e quer revelar uma missão.


quarta-feira, dezembro 07, 2016

Maria Imaculada


Uma Luz importante no nosso caminho
Todos os anos celebramos uma grande festa no dia 8 de Dezembro: a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Esta expressão quer lembrar-nos que Maria nasceu à perfeita imagem de Deus, sem qualquer falta, sem pecado. Desde o seu nascimento, Deus a protegia. Deus amava-a como a todas as crianças da terra, ricas ou pobres, doentes ou saudáveis. Mas além disso, Deus contava com Ela para que pudesse um dia ser a Mãe de Jesus. Assim Maria foi uma menina como as outras, uma mulher comum do seu tempo. Vivia atenta à Palavra de Deus, pondo-a em prática. Pode dizer-se que deixava irradiar perfeitamente nela o amor que Deus lhe tinha.
Maria quer partilhar com quem ama, a alegria que lhe vai no coração: Deus fez nela coisas maravilhosas! É uma atitude natural para os cristãos. A nossa fé não é uma prisão nem uma obrigação. É uma resposta de alegria às maravilhas que Deus faz nas nossas vidas. Por isso, hoje é dia de partilhar com alegria. De dizer aos outros o que nos vai no coração. Não tenhamos medo se não encontrarmos as palavras certas, o importante é comunicar, fazer como Maria. Dizer que Deus não é uma ideia abstracta: é uma presença no meio de nós que dé um sabor novo à nossa vida. QUE MUDA TUDO!

Senhor Deus, ajuda-me a aprender como Maria a escutar a Tua palavra. Ela escutava aTua palavra, guardava-a no coração ao ponto de se fazer carne na pessoa de Jesus. Ajuda-me a meter Jesus no centro da minha vida.






quinta-feira, novembro 10, 2016

Acreditar em Deus


O Antigo Testamento (=AT) não tem uma definição única de fé, mas há visões diferentes que convergem naquilo que se entende ser a fé: a correta atitude diante de Deus.
As palavras da família de "ámen" são muito usadas. Fé, acreditar (ámen) é ter um apoio para a vida. Quando há um perigo para a vida, deve-se acreditar (ter fé), confiar em Deus pois Ele nos salvará. A salvação não vem de nós mesmos mas de Deus.
Um bom exemplo para entender isso é o capítulo 7 do livro do profeta Isaías. O rei Acaz, rei de Judá enfrenta uma séria ameaça: o rei de Israel e o rei de Damasco fizeram uma aliança e preparam-se para invadir e destruir o país. Ao saberem isto, "agitou-se o coração do rei e do povo, como se agitam as árvores das florestas impelidas pelo vento" (Is 7, 2b). Mas Deus envia o profeta a convidar à fé.
Diante das dificuldades, do medo, acreditar é confiar no apoio que Deus envia. Conclui o profeta: "Se não acreditardes, morrereis (Is 7, 9). Só em Deus há apoio seguro.

O Pai dos crentes
Abraão enfrenta um perigo diferente. Não tem filhos; tudo o que construiu na sua vida perde sentido. Mas Deus convida-o a confiar. Deus desafia Abraão a partir para uma terra nova e promete-lhe uma descendência. No capítulo 15 do livro do Génesis há um belo diálogo entre Deus e Abraão. Mais uma vez, Deus começa dizendo "não temas". Podes confiar em Deus. Se Deus está aqui, não é preciso ter medo.
No versículo 6, o escritor diz: "Abraão confiou no Senhor". A atitude de fé de Abraão é a atitude de quem aceita confiar a sua vida a Deus. Abraão não confia que terá um filho pelas sua próprias forças (é já velho, tal como Sara, sua esposa); Abraão sabe que só Deus poderá superar esta difiuldade. Ter fé é confiar só em Deus e em mais nada nem em mais ninguém. A salvação, a possibilidade de futuro, nasce de uma correta (justa) atitude diante de Deus.

Moisés e a libertação
O livro do Êxodo, como relato da vida e ação de Moisés, introduz uma ideia nova: a fé é um a atitude de escuta e aceitação de uma mensagem. A fé não é apenas uma atitude genérica, uma confiança de fundo em Deus; é acolhimento de conteúdos concretos. No final da travessia do Mar vermelho, depois da derrota do faraó, diz Ex 14, 31: "Israel viu a mão poderosa com que o Senhor atuou contra o Egipto; o povo (...) acreditou no Senhor e em Moisés, seu servo."
A fé tem de ser confiança nas promessas de Deus (sobretudo na terra prometida) mas também obediência e fidelidade á aliança, com base nas ações maravilhosas que Deus fez em favor do seu povo.

A fé e a crise da fé
A certa altura caiu-se num esquema muito simplista: crer era confiar apenas em Deus; e quem acreditasse seria feliz e teria uma vida próspera. Pelo contrário, o infeliz devia a sua miséria à sua falta de fé. O livro de Job vai colocar esse esquema em causa. Job é um homem justo, com uma fé viva, sincera. A quem, inesperadamente acontecem uma série de desgraças. Os amigos de Job interpretam essas desgraças como falta de fé por parte de Job. Mas o pobre Job sente que sempre teve diante de Deus a postura correta. Que fazer?
O que o livro sugere é a necessidade de superar o tal esquema simplista da fé. A fé verdadeira é com o um caminho difícil, cheio de contrariedades. E esse caminho árduo faz nascer dentro da pessoa uma fé mais madura. Não uma fé fácil sem perguntas mas uma fé que interpela o próprio Deus, que se pergunta pelo sentido do sofrimento inocente.

Um só Deus
Habitualmente temos claro que o povo de Israel se distinguia dos outros povos por ser monoteísta, por acreditar num só deus, enquanto os outros eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses.
Na realidade, durante muito tempo, mesmo os israelitas crentes pareciam aceitar a existência de outros deuses além de Javé: "Não terás contigo um deus estrangeiro, nem te prostarás diante de um deus estranho. Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egipto" (SI 81, 10-11). O importante para a fé israelita era que só Javé, que tinha chamado Abraão e dado uma descendência, que tinha libertado o povo através de Moisés, que sempre tinha acompanhado e protegido o seu povo, era merecedor de fé, de confiança.
Diante dos outros "deuses", os israelitas pareciam dizer: "eles existem mas são inuteis; só Javé nos protege e salva!"
É só depois do exílio, precisamente quando as promessas de Deus parecem ser postas em causa, que alguns sábios e profetas reagem com um forte monoteísmo. Só há um Deus. Tudo o resto são ilusões e mitos.

Desafios a reter
- Acreditar é bem mais que afirmar a existência de Alguém. É confiar em Deus.
- Acreditar é manter um estilo de relação confiante em Deus. Mas é também aceitar as propostas objectivas que Deus faz.
- O caminho da fé não é fácil. Acreditamos em Deus que nos protege e salva mesmo quando a nossa existência não mostra isso.

Vídeo - CREIO

sábado, setembro 10, 2016

A alegria de ser cristão


A alegria e o gozo de viver a Palavra de Deus são caracteristicas próprias de um cristão adulto.
Há diversos tipos de alegria, diversos graus. Mas só se pode falar em alegria no sentido pleno quando a pessoa sente que o melhor de si mesmo, das suas capacidades, dos seus desejos se realiza. Há alegria quando encontramos algo profundamente amado.
De acordo com este ensinamento de S. Tomás de Aquino, e vendo as potencialidades desta afirmação o Papa Paulo VI, na exortação apostólica Gaudete in Domino, afirma que o ser humano não só pode sentir e experimentar as alegrias humanas quando está em contacto e comunhão com a natureza e com a humanidade, mas também pode atingior o grau mais elevado de felicidade que é a alegria da comunhão com Deus. Aí, o ser humano conhece a alegria e a felicidade espiritual quando o seu espirito entra em comunhão com deus, conhecido e amado como que de melhor a vida nos traz. A alegria verdadeira não provém dos prazeres efémertos nem das certezas do mundo, mas sim da vida espíritual, pois é um fruto do Espírito.
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Alegria Cristã
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A alegria cristã não é apenas um estado psicológico. É por sua essência uma participação espíritual da alegria insondável - simultaneamente divina e humana - do Coração de Deus. Através da oração pode experimentar-se mais profundamente esta grande alegria: cada cristão sabe que vive de Deus, para Deus e em Deus. E ninguém é excluído deste chamamento universal à felicidade, na sua vida concreta. É a partir da vida no espírito, que os discípulos de Jesus Cristo são chamados a participar da alegria de Deus, alegria essa que se fundamenta na participação no amor que há na Trindade. Jesus quer, que cada um de nós sinta dentro de si a mesma alegria que Ele sente: "Eu revelei-lhes o Teu nome, para que o amor com que Tu Me amaste esteja neles e Eu também esteja neles" (Jo 17, 26)
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O caminho das Bem - Aventuranças
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Estar dentro do amor de Deus é uma possibilidade que se realiza nesta vida concreta, através da opção pelas coisas do Reino. Claro que pode obrigar a um caminho dificil, mas é o único que leva à verdadeira alegria: o caminho das Bem - aventuranças.
As "Bem - Aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória de Sua Paixão e Ressurreição: iluminam as acções e atitudes caracteristicas da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas rtibulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos. Convém ter presente que a alegria do Reino feita realidade, não pode brotar senão da celebração conjunta da morte e ressurreição do Senhor. É o paradoxo da condição cristã que tem em Jesus Cristo o seu esclarecimento. À luz do novo Adão, os sofrimentos e dificuldades não são iluminados, mas adquirem um novo sentido, porque há a certeza de participar na redenção realizada por Jesus Cristo e participar da Sua Glória. O cristão, por muitas dificuldades que enfrente, desde que esteja inserido na comunhão de amor Trinitário, sente sempre a alegria divina, pois participa do amor de Deus. Esta consciência leva-o a ser sal e luz do mundo, anunciando a Boa Nova com alegria. Deste modo não sucumbirá à falta de fervor, que se manifesta no cansaço, acomodação, desinteresse e desilusão. Antes se revigora continuamente com verdadeiro fervor espiritual.
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Video: O Mesmo Céu
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Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

sábado, fevereiro 13, 2016

Quaresma - PRATICA A MISERICÓRDIA


Quaresma - PRATICA A MISERICÓRDIA

A misericórdia não é apenas uma emoção, um frémito interno, frente ao sofrimento alheio: ela nasce como ressonância aguda do sofrimento do outro dentro de mim, mas depois torna-se ética, práxis e virtude, a maior virtude, como dirá São Tomás. E tem razão o Papa Francisco quando diz que «a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, com que Ele revela o Seu amor, como o de um pai e o de uma mãe que se comovem pelo próprio filho, até ao mais íntimo das suas vísceras” (MV, nº6). E por isso, falamos em «obras», que supõem ação, atitude, movimento de saída de si mesmo ao encontro do outro.

Desde a sua formulação básica e inspiradora, no texto fundamental, alusivo ao Juízo final, em Mt.25,31-46, até chegar, pelo século XII, à sua formulação, em dois setenários, como as duas faces da mesma moeda (a pessoa humana) onde está inscrita a imagem de Deus, as 14 obras de misericórdia apresentam-se ao cristão, não como algo acessório ou facultativo, mas como expressão essencial e concreta do amor a Jesus, nos mais pobres, com quem Ele se identifica: «foi a Mim, que o fizeste» (Mt.25,40). 

A tradição das obras de misericórdia encontra, hoje, portanto, uma renovada atualidade, precisamente no fazer-se memória do essencial, e de um essencial que corre o risco de se perder: ou seja, o facto de a caridade ser encontro de rostos, discernimento concreto das necessidades do corpo e da alma, história quotidiana, gesto e palavra, capacidade de relação, de escuta e de atenção.
Ela pede ao homem que tome a seu cargo quem é necessitado, que tome a sério o sofrimento do outro, e afirma que o homem é homem se acredita na humanidade do outro, mesmo que esta esteja ferida ou diminuída, e se ousa fazer ao outro aquilo que gostaria que lhe fizessem a si. É o que acontece com o samaritano da parábola, que faz tudo o que está ao seu alcance para aliviar concretamente os sofrimentos do homem deixado moribundo à beira do caminho (Lc.10,29-37).
Insistimos, portanto, neste imperativo «pratica a misericórdia», porque a misericórdia, segundo a linguagem bíblica deve ser feita. «Vai e faz o mesmo tu também» (Lc.10,37), diz Jesus ao doutor de lei a quem apresentou a parábola do samaritano. De Jesus, que realiza curas, diz-se «faz tudo bem feito» (Mc.7,27; At.10,38). No juízo final (Mt.25,31-46),donde se recolhem a maior parte das obras de misericórdia corporais, o que distingue os bem-aventurados dos malditos é precisamente o «fizestes» ou o «deixastes de fazer».

“Todo o discípulo, portanto, conhece a vontade de Deus, expressa por Jesus: «prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt.12,7; e também sabe como deve querê-la e praticá-la: seguindo as pegadas de Jesus e aprendendo com Ele, manso e humilde de coração”
E, por isso, não basta, pura e simplesmente “praticar” a misericórdia, como mero exercício voluntarista, mas é preciso ir mais longe: trata-se de “ser misericordioso como o Pai” (Lc.6,36). A qualidade das relações humanas é fundamental quando se quer “fazer” uma obra de misericórdia. Não por acaso, no nosso Plano Diocesano insistimos na necessidade imperiosa de “tratar a todos misericordiosamente, a começar por aqueles que nos procuram” (PDP, 2015, p.31).
Nestes tempos difíceis, recordar a tradição das obras de misericórdia significa, em certo sentido, apreender a caridade como arte do encontro, como arte da relação, como arte de viver, mas significa sobretudo novo impulso de humanidade, para não permitir que o cinismo, a barbárie e a indiferença levem a melhor! Na verdade, “quantas situações de precaridade e sofrimento presentes no mundo atual (…) Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação, que anestesia o espírito (…)

COM ALEGRIA
“A misericórdia não é, pois, uma realidade de sentido único. Envolve-nos a todos: como destinatários e atores” E, num caso, como noutro, ela é sempre fonte de alegria, ela é mesmo “a razão da alegria que o evangelho suscita em nós”.
Bem vistas as coisas, a misericórdia alegra e liberta quem a põe em prática, ainda antes de quem dela beneficia. Fazer o bem também é fazer bem a si próprio. Fazer o bem contribui para o bem-estar da pessoa. Este é um dos sentidos do refrão bíblico: «Faz isto e viverás» (cf. Lv 18,5; Dt 4,1; 5,29; 6,24; Lc 10,28; etc.). Em suma, na obediência ao mandamento divino, encontrarás vida e felicidade, encontrar-te-ás a ti próprio. «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19,18; Mt 19,19), ou seja, amando o outro, amar-te-ás a ti próprio e descobrirás que o teu verdadeiro «ti mesmo» é aquele que ousas amar. Trata-se, portanto de “uma obrigação portadora de felicidade, uma vez que abre para
a bem-aventurança, já vivida no tempo”. São gestos simples e concretos, que enchem o coração de alegria e oferecem verdadeira consolação.
Acompanhem-nos, pois, nesta longa e bela caminhada,as palavras luminosas do Apóstolo Paulo, quando nos diz: «quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria» (Rm.12,8). Jesus proclamou-o e nós podemos experimentá-lo: “Felizes os misericordiosos” (Mt.5,7).

Como concretizar então este objetivo de “valorizar a formação sobre as obras de misericórdia, traduzidas e concretizadas, para hoje, em resposta às exigências do nosso tempo e aos desafios das novas formas de pobreza” (PDP, 2015, p.31)? Sugerimos fazê-lo deste modo:

VALORIZAR E PRATICAR UMA OBRA DE MISERICÓRDIA,POR SEMANA.

AS OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS

Mt.25; Tob.1,16-18; São Tomás de Aquino S.T.II-II, q.32,a.2,ad 1; GS 27; cf. CIC 2447-2448; EG 197; MV15

Pobreza física ou económica, individual ou estrutural: 

1. Dar de comer a quem tem fome– Mt.25,35: CV 27 [a relacionar com as questões da fome e da má nutrição ou desnutrição];

2. Dar de beber a quem tem sede– Mt.25,35: CV27; LS 30 [a relacionar com a tortura da sede e a falta de água potável];

3. Vestir os nusMt.25,36 [a relacionar com o cuidado dos sem-abrigo e das crianças da rua…];
4. Dar pousada aos peregrinos – Mt.25,35; Regra de S. Bento nº 53, 6 [a relacionar com as questões da Hospitalidade e acolhimento de estrangeiros e refugiados…];

Pobreza relacional e social:

5. Assistir aos enfermos– Mt.25,36 [a relacionar com as questões da visita e acompanhamento dos doentes, da humanização da saúde e da necessidade de “enfaixar as feridas com a misericórdia”];

6. Visitar os presos– Mt.25,36 [a relacionar com a humanização das prisões, o acompanhamento das famílias com reclusos, os problemas da reintegração dos ex-reclusos / dos presos políticos ou religiosos];

7. Enterrar os mortos– Tb.1,17; 12,12ss [a relacionar com as questões do tratamento e da celebração cristã da morte e do acompanhamento das pessoas feridas pelo luto e ainda com as questões ligadas à cremação).

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Quaresma - As nossas mãos

As Nossas Mãos
 
Mãos que falam...

Unidas às palavras, e outras vezes sem elas, os gestos da mão podem exprimir uma ideia, um sentimento, uma intenção. As mãos estendem-se para pedir, estendem-se para receber...as mãos ameaçam, mas também oferecem um presente... estendem-se abertas ao amigo ou apertam, em silêncio, a mão da pessoa amada... saúdam e dizem adeus...

Mãos que rezam...
Os braços e as mãos podem exprimir muito bem a nossa atitude interior e converter-se em símbolo da nossa oração. Os braços abertos levantados foram sempre gestos típicos do homem em oração: «com meus lábios te Louvarei e toda a minha vida te bendirei; a ti levantarei as mãos em oração», assim rezamos no Salmo 63. Uns braços levantados, umas mãos que se estendem para o alto são como um discurso, ainda que diga poucas palavras. Podem ser um grito de angústia ou de súplica, ou uma expressão de louvor e gratidão. A sintonia entre a atitude de espírito e os gestos das mãos pode exprimir, em plenitude, os sentimentos de um cristão em oração: «quero, pois, que os homens ao fazerem oração em qualquer lugar, o façam erguendo as mãos puras, sem ódio nem intrigas», escrevia S- Paulo, na sua primeira carta a Timóteo.

Mãos que recebem o Corpo de Jesus ...
Uma mão aberta que pede, que espera, que recebe. Enquanto o nosso olhar se fixa no Pão que o sacerdote oferece e os nossos lábios dizem: «Amén». Não é uma atitude expressiva para receber o Corpo de Jesus? Durante vários séculos a comunidade cristã manteve o costume de comungar na mão. Pouco a pouco, e por diversas razões, foi-se alterando este costume. Hoje parece voltar a preferir-se a comunhão na mão. E as nossas mãos estendidas têm uma grande força expressiva. Representam uma atitude de humildade, de espera, de pobreza, de disponibilidade, de acolhimento, de confiança. Diante de Deus, a nossa atitude é a de quem pede e recebe confiadamente. E a comunhão do Corpo de Cristo é o melhor Dom que recebemos através do serviço da Igreja. Essas mãoos estendidas falam claramente da nossa fé e da nossa atitude interior de comunhão. As duas mãos abertas e activas: a esquerda, recebendo, e a direita apoiando primeiro a esquerda e depois tomando pessoalmente o Corpo de Jesus; duas mãos que podem ser sinal eloquente de um respeito, de um acolhimento, de um «altar pessoal» que formamos, agradecidos a Jesus que se nos oferece como o Pão de uma Vida em abundância.
E que significam as nossas mãos... nesta Quaresma?
A nossa Eucaristia também passa pelas mãos. Umas mãos que dão, que oferecem, que recebem, que mostram, que pedem, que se elevam até Deus, que se estendem para o irmão, que traçam o sinal da cruz... Esta Quaresma... as nossas mãos... duas mãos abertas: gesto de acolhimento do dom de Deus. Na Quarta.feira de Cinzas, as nossas mãos exprimiam um pedido: «Dai-nos, Senhor...». A partir desse momento tomamos consciência de tudo o que Deus nos dá e já não «pedimos», mas «acolhemos» o dom de Deus: «Vós dais-nos...». São mãos abertas que pedem, reconhecem a sua própria pobreza, que esperam, que mostram a sua receptividade diante do dom de Deus: «Vós dais-nos...».

Uma Santa Quaresma!

Arménio Rodrigues
https://www.facebook.com/fazteaolargo/

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Chamamento


Chamamento

O chamamento é sempre uma iniciativa de Deus, o qual vem ao encontro do homem e chama-o pelo nome. Ao homem é pedido que se coloque numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz e os desafios de Deus.
A história da vocação de André e do outro discípulo (despertos por João Baptista para a presença do Messias) mostra, ainda, a importância do papel dos irmãos da nossa comunidade na nossa própria descoberta de Jesus. A comunidade ajuda-nos a tomar consciência desse Jesus que passa e aponta-nos o caminho do seguimento. Os desafios de Deus ecoam, tantas vezes, na nossa vida através dos irmãos que nos rodeiam, das suas indicações, da partilha que eles fazem connosco e que dispõe o nosso coração para reconhecer Jesus e para O seguir. É na escuta dos nossos irmãos que encontramos, tantas vezes, as propostas que o próprio Deus nos apresenta.
O encontro com Jesus nunca é um caminho fechado, pessoal e sem consequências comunitárias… Mas é um caminho que tem de me levar ao encontro dos irmãos e que deve tornar-se, em qualquer tempo e em qualquer circunstância, anúncio e testemunho. Quem experimenta a vida e a liberdade que Cristo oferece, não pode calar essa descoberta; mas deve sentir a necessidade de a partilhar com os outros, a fim de que também eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua existência. “Encontrámos o Messias” deve ser o anúncio jubiloso de quem fez uma verdadeira experiência de vida nova e verdadeira e anseia por levar os irmãos a uma descoberta semelhante.

João Baptista nunca procurou apontar os holofotes para a sua própria pessoa e criar um grupo de adeptos ou seguidores que satisfizessem a sua vaidade ou a sua ânsia de protagonismo… A sua preocupação foi apenas preparar o coração dos seus concidadãos para acolher Jesus. Depois, retirou-se discretamente para a sombra, deixando que os projectos de Deus seguissem o seu curso. Ele ensina-nos a nunca nos tornarmos protagonistas ou a atrair sobre nós as atenções; ele ensina-nos a sermos testemunhas de Jesus, não de nós próprios.



segunda-feira, janeiro 25, 2016

Meu caminho, minha oração.



Num tempo em que a vida corre demasiado veloz, cheia de mil coisas e preocupações, é fácil prescindimos da escuta da Palavra de Deus, que o mesmo é dizer, do tempo de oração. Para que isto possa acontecer e se torne uma experiência que toca a vida é necessário criar e cuidar um ambiente que favoreça o silêncio, a intimidade, a escuta...

As notícias que invadem o nosso dia-a-dia estão cheias de pessimismo sensacionalista. Deixo que esta interrogação faça eco em mim: estou apto/a a descobrir os sinais da vida eterna que pulsa no coração da humanidade ou vivo na sombra de um sol sem esperança? O que posso concretamente fazer para que a vida em abundância chegue a quem duvida, dela carece ou a ignora? Envio uma mensagem ou um sms a alguém como partilha de algo belo e divino que descubro ou experimento.

O que significa hoje alimentar-se de Jesus? É seguir os seus passos, aprofundar a sua vida e segui-l'O no sim a Deus e no amor aos irmãos, entrar em profunda adesão de coração com Cristo Senhor, até ao ponto de experimentarmos o que S. Paulo nos comunica: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Quando alguém acolhe Jesus como o pão que desceu do céu, torna-se um Homem Novo.

O maná a que Jesus se refere pode representar hoje aquelas propostas de vida que, tantas vezes, nos atraem pelos aplausos recebidos no palco do mundo, pelo poder e fama que a moda ou a opinião pública dominantes nos oferecem, pela ilusão de uma felicidade fácil adquirida em cada fragmento de tempo…Mas o momento passa e o sentimento de vazio ganha espaço na nossa vida quando nos alimentamos de experiências que não geram vida plena. É preciso aprender a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança nesse “pão” demasiado leve. Pode parecer difícil treinarmo-nos nesta experiência de fé, mas não nos esqueçamos que é nesse espaço de fé que o mistério do Amor se revela como vida autêntica.

ORAÇÃO
 Rezo, medito e contemplo esta passagem de S. Paulo aos Efésios:

«É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra: que Ele vos conceda, de acordo com a riqueza da sua glória, que sejais cheios de força, pelo seu Espírito, para que se robusteça em vós o homem interior; que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações; que estejais enraizados e alicerçados no amor, para terdes a capacidade de apreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade... a capacidade de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais repletos, até receberdes toda a plenitude de Deus. Àquele que pode fazer imensamente mais do que pedimos ou imaginamos, de acordo com o poder que eficazmente exerce em nós, 21a Ele a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos! Ámen.» (Ef 3,14-21)

Vídeo - Meu caminho, minha oração.

domingo, janeiro 17, 2016

Eucaristia: Memorial da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo


No sacramento do seu Corpo e Sangue, Jesus deixou-nos o memorial do seu sacrifício para que o celebrássemos em memória d’Ele, até que Ele venha no fim dos tempos. Por isso, sempre que celebramos a Eucaristia, proclamamos a morte do Senhor e renovamos a Aliança com Deus, que, na sua morte, Cristo selou em nosso favor.

A instituição da Eucaristia, aconteceu durante a última ceia pascal em que Jesus  celebrou com seus discípulos, e os quatro relatos coincidem no essencial, em todos eles a consagração do pão precede a do cálice; embora devamos lembrar, que na realidade histórica, a celebração da Eucaristia ( Fração do Pão ) começou na Igreja primitiva antes da redação dos Evangelhos

De facto é o Amor que faz do Cristo pão para nós. Assim, o Pão na Eucaristia passa a ser o Sacramento do Amor que na Cruz Ele dirigiu até ao fim. Portanto, ao comer esse Amor que se tornou Corpo no Pão Eucarístico, percebemos que o próprio Jesus é o Pão que sacia a nossa fome,  trazendo a certeza de que só conseguimos suportar a travessia dos desertos se segurarmos as mãos desse Amor que se oferece na Eucaristia em  cada missa celebrada. 
Felizes são os convidados para este Banquete!

Quero estar sempre conTigo, Jesus;
porque Tu me amas e eu quero amar-Te.
Quero trazer-Te sempre no meu coração
para ter a Tua força
e conseguir ser-Te fiel em tudo.
Necessito especialmente da Tua força
para viver com delicadeza e fortaleza
a virtude da santa pureza
que tanto Te agrada.
Dá-me a fortaleza dos mártires,
para ser valente perante a tentação impura,
para vencer as minhas más inclinações.
Antes morrer do que pecar.
Se Tu estás comigo, ser-Te-ei fiel.

Vídeo - Eucaristia

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Batismo do Senhor


Batismo do Senhor
Jesus é o Messias esperado. Em Mateus, o Batismo de Jesus inaugura a sua vida pública. João anuncia a presença de alguém maior, mais forte, proveniente de Deus, portador do Espírito Santo, capaz de renovar a vida de quantos hão-de ver a luz de Deus. João fala da presença entre nós do “Filho muito amado” de Deus, a quem todos devemos escutar. Num tempo como o nosso, feito de mil coisas, mil distâncias, mil destinos, percebemos como é tempo de escutar a Deus que está no meio de nós.

No episódio do Batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica... É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens e que, através da acção do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a Sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso batismo, comprometemo-nos com esse projeto... Temos, depois disso, renovado diariamente o nosso compromisso e percorrido, com coerência, esse caminho que Jesus veio propor-nos?

A celebração do batismo do Senhor leva.nos até um Jesus que assume plenamente a sua condição de "Filho" e que se faz obediente ao Pai, cumprindo integralmente o projeto do Pai de dar vida ao homem. É esta mesma atitude de obediência radical, de entrega incondicional, de confiança absoluta que eu assumo na minha relação com Deus? O projeto de Deus é, para mim, mais importante de que os meus projectos pessoais ou do que os desafios que o mundo me faz?


Quando saía da água, viu serem rasgados os céus e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba. E do céu veio uma voz...
No batismo de Jesus não só ele se solidariza connosco, como também os restantes da Santíssima Trindade, o Pai e o Espírito, se solidarizam com ele. O Espírito Santo desce sobre Jesus e o Pai faz ouvir a sua voz. O batismo torna-se assim um acontecimento da Santíssima Trindade.
Por ser batizado/a, sou habitado/a pela Santíssima Trindade. Isto significa que o Pai e o Filho e o Espírito Santo estão dentro de mim. Com Eles posso lançar-me confiadamente na aventura do dia-a-dia. Estou disposto a arriscar e a deixar que Eles se manifestem através de mim?

Oração simples à Santíssima Trindade Pai e Filho e Espírito Santo;

Santíssima Trindade acompanhai-me toda a vida, dai-me sempre guarida, tende de mim piedade.
Pai Eterno, ajudai-me.
Verbo de Deus, abençoai-me.
Espírito Santo, alcançai-me proteção, honra e virtude.
Nunca a soberba me ataque e sempre busque o bem, com a Santíssima Trindade para sempre.
Ámen.


No corre-corre do dia-a-dia, nem sempre me lembro que dentro de mim, comigo, mora a Santíssima Trindade. Hoje, mais consciente, vou deixar-me acompanhar e sentir-me acompanhado por esta presença misteriosa e divina.




Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues